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16/06/2016
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Seguradoras atentas às exigências profissionais

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Não há como a força que emana da relação entre quem presta um serviço e quem o recebe para fazer o mundo pular e avançar. Com ambas as partes não querer sair a perder, o RC Profissional têm muito por onde crescer.

Em Portugal, assiste-se hoje a uma dinâmica bem diferente no que à oferta de seguros de Responsabilidade Civil (RC) Profissional diz respeito.

Fatores como uma maior consciencialização por parte dos profissionais, com algumas atividades a sofrerem mesmo alguma pressão oriunda de nova legislação, e a existência de um mercado mais esclarecido e exigente, levaram a que as seguradoras a operar no nosso país tivessem de encontrar soluções para cenários distintos.

Contudo, para o setor segurador, parece ser unânime que, apesar da grande evolução registada, a progressão não vai ficar por aqui e a procura vai certamente intensificar-se.

Maior consciencialização

Para Rodrigo Fonseca, líder de FINPRO da Marsh Portugal, não há lugar para dúvidas: “será, das áreas da atividade seguradora, a com maior margem de crescimento, fruto da circunstância dos modelos de desenvolvimento económico se encontrarem muito baseados no quadro da oferta de serviços”.

A aposta na comercialização de apólices de seguro de RC Profissional, no caso desta seguradora, resulta da própria transformação da economia. Segundo esclarece Rodrigo Fonseca, cada vez mais, a estruturação do modelo económico se baseia no predominante setor terciário e esta circunstância implica que o foco das coberturas de seguros estejam a ser perspetivadas no sentido da cobertura de responsabilidades decorrentes de erros e/ou omissões profissionais.

Da sua experiência, esta seguradora, diz-nos que a procura é cada vez mais intensa, “porquanto existe, hoje, uma maior consciencialização para os riscos e o impacto dos mesmos na atividade empresarial que é desenvolvida”. Mas acrescenta ainda um outro cenário a reter: a internacionalização. “A entrada em mercados desconhecidos levou a que a necessidade do recurso a coberturas de seguro seja crescente. As especificidades de algumas áreas de atividade levam a que as soluções acabem por ser também elas alteradas. Um exemplo flagrante encontra-se na área das tecnologias de informação, onde as soluções de cobertura são cada vez mais elaboradas”, reforça Rodrigo Fonseca.

O exemplo da classe médica

Também na perspetiva da Ageas Portugal (ex-Axa Portugal) o futuro do RC Profissional em Portugal se revela promissor. “O mercado português e os seus profissionais em particular estão, cada vez mais, atentos às necessidades de proteção, procurando junto das seguradoras garantias que respondam às suas expectativas. Por outro lado, a sociedade está cada vez mais bem informada sobre os seus direitos e existe um maior e melhor acesso à informação, pelo que a procura vai continuar a crescer”, afirma Fernando Santos, responsável da área professionals e parcerias.

A Ageas Portugal iniciou a comercialização deste tipo de seguros em 1985, com a criação de um produto específico para a classe médica, uma necessidade que identificaram fruto de uma enorme proximidade com esta classe e que, aliás, mantém nos dias de hoje. Segundo explica Fernando Santos, se, por um lado, os médicos sentiram necessidade de estar protegidos, por outro, a seguradora respondeu com um produto inovador no mercado português. “A procura deste tipo de seguros decorre de vários fatores. Desde logo, legais e/ou normativos, que obrigam à existência de um determinado capital de seguro que proteja uma atividade em concreto. Temos por exemplo algumas atividades de engenharia com necessidade de contratação de seguros obrigatórios, como os engenheiros eletrotécnicos ou os engenheiros responsáveis técnicos pelo projeto de instalações de armazenamento de produtos de petróleo e de postos de abastecimento de combustíveis. De igual modo, muitas entidades contratantes exigem este seguro como requisito prévio à contratação dos serviços”. A leitura da Ageas passa ainda pelo peso que a definição estatutária de algumas profissões, reconhecendo que as Ordens Profissionais tiveram, e têm, um papel importante, teve na definição dos critérios de aceitação, garantia e âmbito desta tipologia de seguros. “Entre as classes que demonstram maior preocupação em procurar estar seguros encontram-se os médicos, dentistas, enfermeiros, farmacêuticos, engenheiros, arquitetos e veterinários”, remata.

Big Data também é força motriz

Para a AIG Europe, o futuro dos seguros de RC Profissional passa inquestionavelmente pelo impulso da Quarta Revolução Industrial – Big Data – que se caracteriza por uma maior complexidade, exigência e sofisticação das relações inter-empresas é com naturalidade que a solução de seguro para reclamações por erros e omissões assume especial preponderância. “Fruto da globalização e da crescente complexidade das relações, as empresas estão cada vez mais a celebrar contratos com parceiros onde lhes é exigido uma apólice de RC Profissional que possa servir, quase como uma garantia, para se algo correr de forma negligente e/ou com níveis diferentes dos resultados esperados”, sublinha Daniel Marques, senior underwriter.

Há décadas que a AIG desenvolve este seguro em países e mercados em que o grau de desenvolvimento industrial e tecnológico é muito avançado. E se o acesso e constante à partilha de know-how e experiência lhe permitiu apostar no desenvolvimento de soluções tidas complexas, também o efeito da globalização e internacionalização das empresas portuguesas aumentou a sua exposição em mercados mais exigentes e sofisticados, tendo sido este o efeito catalisador para o desenvolvimento desta solução na última década em Portugal.

O conhecimento aprofundado deste universo leva a seguradora a afirmar que as empresas com exposição a novos mercados têm vindo a tomar consciência de uma realidade em que a litigância é uma prática comum. “Apesar da generalidade do mercado português ainda não se encontrar num nível de maturidade em que este seguro é prioritário para as organizações, o facto é que a propensão para a litigância é cada vez maior, pois deriva do maior escrutínio das empresas e dos consumidores. Os nossos gestores têm hoje uma maior noção que é fundamental estarem adequadamente protegidos, razão pela qual temos vindo a assistir a uma maior procura deste tipo de proteção pelas empresas que prestam serviços a terceiros”, conclui Daniel Marques. A AIG privilegia áreas de atividade que prestam eminentemente serviços a terceiros de caráter intelectual, como as sociedades de advogados, consultoras informáticas, gabinetes de contabilidade, gabinetes de arquitetura e engenharia, empresas de media, entre outras.

Aposta na inovação

Corroborando as leituras anteriores, também a Fidelidade afirma que estamos diante de um mercado evolutivo, no qual todos os dias surgem novas atividades, com novas necessidades. “O aumento que se tem verificado no inconformismo do lesado perante o erro profissional, leva a admitir que esta será uma das modalidades da RC em que se continuará a verificar uma procura cada vez mais significativa de seguros que consigam de forma abrangente responder às necessidades”, frisa Sérgio Carvalho, diretor de marketing produtos e canais. Com uma forte aposta na inovação e o forte propósito em alavancar o mercado e estar na linha da frente da inovação e a evolução do mercado, assume que analisará e dará resposta à medida das necessidades dos seus clientes.

A seguradora já comercializa seguros de RC Profissional há várias décadas, pelo que as motivações que em cada momento levaram a apostar nesta linha de negócio terão sido as mais variadas. Contudo, assegura que tem tentado manter uma resposta que constantemente se adequa à crescente e cada vez mais exigente solicitação por parte de profissionais liberais e mesmo de empresas, para que possam transferir para uma companhia a responsabilidade civil por danos patrimoniais e não patrimoniais decorrentes de erro ou falta profissional cometida no exercício da sua atividade.

Com resposta específica para as diferentes atividades profissionais, a procura que a Fidelidade regista é diversificada na sua origem (profissionais liberais, Associações ou Ordens Profissionais, empresas) e na sua motivação (preocupação do segurado, imposição de clientes nacionais ou estrangeiros do segurado, ou por imposição legal).

Por Sónia Bexiga/OJE